TECNOLOGIA A SERVIÇO DA INCLUSÃO DE DEFICIENTES
VISUAIS NA ESCOLA
Por Valter José Ribeiro - RU 33402
Polo de Apoio Presencial Piraquara
EduSol
Data: 28/08/2017
SOFTWARES
ESPECIALIZADOS FACILITAM O APRENDIZADO DE ESTUDANTES CEGOS
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De acordo com
os dados do Censo Escolar 2008/2009, realizado pelo Inep/MEC, mais de 55 mil
alunos têm deficiência visual no país. Desse total, 51.311 são os chamados
estudantes com baixa visão e 4.604 são cegos. Para freqüentar e estudar, seja
na escola regular ou na escola especial, os alunos contam com um grande aliado:
a informática. Há vários softwares desenvolvidos justamente para atender à
realidade desse público, facilitando e muito o aprendizado e a inclusão desses
alunos. Segundo José Francisco Souza, técnico em assuntos educacionais do
Instituto Benjamin Constant (IBC) - referência no país em educação de deficientes
visuais, o acesso a esses programas é fundamental para que a pessoa possa
interagir melhor com a sociedade e o mundo que a cerca: “Tenho 60 anos e na
época em que fui alfabetizado, não tínhamos esses recursos. Hoje as coisas
estão mais fáceis. Porém, essa facilidade não pode fazer com que a gente se
acomode. É preciso continuar indo além, testar nossos limites, nos superar.”.
A informática
adaptada para o deficiente visual tem três tipos de programas: os leitores de
tela, os ampliadores de tela e os digitalizadores de texto. Os leitores, como o
próprio nome sugere, lêem tudo o que está na tela do computador, seja texto,
Access, Power point, linguagem de programação, e-mail, MSN, etc. Por isso, são
ideais para os cegos totais. Os ampliadores são bons para os chamados baixa
visão. Como o programa amplia os ícones, as imagens, as letras e cria
contrastes, facilita a leitura de quem tem a patologia da baixa visão, ou seja,
não é totalmente cego. Já os digitalizadores transformam textos em sons. “Todos
são muito bons, mas cada um atende a uma realidade específica. E um complementa
o outro. Por isso, é comum usarmos mais de um programa. Eu, por exemplo, gosto
muito do DOSVOX e do NVDA.” Os dois programas citados por Francisco são free,
ou seja, podem ser baixados gratuitamente pela internet. O DOSVOX, inclusive,
foi desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ). Outros muito bons citados por ele são o JAWS e o
Virtual Vision, mas têm o inconveniente de serem pagos. São todos leitores. Na
linha de ampliadores, existem o Magic e o Zoom Text, também pagos. Já o Open book
é um digitalizador de texto.
Em Salvador,
Adriana Garcia Rocha, de 39 anos, conhece bem esses programas. Aos 20 anos
perdeu a visão e nem por isso parou de estudar. Procurou o Centro de Apoio
Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) e deu
prosseguimento à sua formação. Hoje é professora de História, com pós em
Cultura Afro-Brasileira. “O DOSVOX e o JAWS foram fundamentais para o
acompanhamento dos conteúdos em sala de aula. Não sei o que seria da minha vida
sem o acesso à informática que tive e tenho a partir desses softwares.
Conquistamos mais autonomia e independência com eles.”
Quanto ao uso
dos softwares, estes podem ser utilizados em todas as disciplinas do currículo,
pois permite ao aluno, poder acompanhar todo o seu avanço e processo
ensino-aprendizagem, buscando assim cada vez mais sua autonomia. Permite também
a integração e a interação com os demais colegas também, pois com esse recurso
tecnológico a distância fica menor entre os estudantes e o professor.
Infelizmente,
nem todas as escolas possuem esses softwares, mas podem ser baixados e auxiliar
todos os alunos com deficiência visual em todos os níveis.
Política pública
O Ministério da
Educação desenvolve, em parceria com os Estados, Municípios e o Distrito
Federal, o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais e o
Projeto Livro Acessível para alunos com deficiência visual. Essas ações têm
como objetivo a promoção da acessibilidade aos alunos da Educação Especial no
ensino regular. Dessa forma, o MEC disponibiliza materiais didáticos e
pedagógicos, equipamentos, mobiliários e laptops para comporem as Salas de
Recursos Multifuncionais com o objetivo de apoiar a organização da oferta do
Atendimento Educacional Especializado (AEE), complementar à escolarização nas
escolas da rede pública e laptops aos alunos com cegueira matriculados no fim
do ensino fundamental, no ensino médio, na EJA e na Educação Profissional, como
recurso de acessibilidade ao livro e à leitura. Os laptops destinados aos
alunos com cegueira são disponibilizados justamente com o sistema DosVox e se
destinam ao uso individual em sala de aula e demais atividades educacionais,
podendo ser utilizados em domicílio, mediante assinatura de termo de
responsabilidade, conforme critério estabelecido pela direção da escola.

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