quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SOFTWARES ESPECIALIZADOS FACILITAM O APRENDIZADO DE ESTUDANTES CEGOS


TECNOLOGIA A SERVIÇO DA INCLUSÃO DE DEFICIENTES VISUAIS NA ESCOLA

Por Valter José Ribeiro - RU 33402
Polo de Apoio Presencial Piraquara EduSol
Data: 28/08/2017
SOFTWARES ESPECIALIZADOS FACILITAM O APRENDIZADO DE ESTUDANTES CEGOS












 




De acordo com os dados do Censo Escolar 2008/2009, realizado pelo Inep/MEC, mais de 55 mil alunos têm deficiência visual no país. Desse total, 51.311 são os chamados estudantes com baixa visão e 4.604 são cegos. Para freqüentar e estudar, seja na escola regular ou na escola especial, os alunos contam com um grande aliado: a informática. Há vários softwares desenvolvidos justamente para atender à realidade desse público, facilitando e muito o aprendizado e a inclusão desses alunos. Segundo José Francisco Souza, técnico em assuntos educacionais do Instituto Benjamin Constant (IBC) - referência no país em educação de deficientes visuais, o acesso a esses programas é fundamental para que a pessoa possa interagir melhor com a sociedade e o mundo que a cerca: “Tenho 60 anos e na época em que fui alfabetizado, não tínhamos esses recursos. Hoje as coisas estão mais fáceis. Porém, essa facilidade não pode fazer com que a gente se acomode. É preciso continuar indo além, testar nossos limites, nos superar.”.

A informática adaptada para o deficiente visual tem três tipos de programas: os leitores de tela, os ampliadores de tela e os digitalizadores de texto. Os leitores, como o próprio nome sugere, lêem tudo o que está na tela do computador, seja texto, Access, Power point, linguagem de programação, e-mail, MSN, etc. Por isso, são ideais para os cegos totais. Os ampliadores são bons para os chamados baixa visão. Como o programa amplia os ícones, as imagens, as letras e cria contrastes, facilita a leitura de quem tem a patologia da baixa visão, ou seja, não é totalmente cego. Já os digitalizadores transformam textos em sons. “Todos são muito bons, mas cada um atende a uma realidade específica. E um complementa o outro. Por isso, é comum usarmos mais de um programa. Eu, por exemplo, gosto muito do DOSVOX e do NVDA.” Os dois programas citados por Francisco são free, ou seja, podem ser baixados gratuitamente pela internet. O DOSVOX, inclusive, foi desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ). Outros muito bons citados por ele são o JAWS e o Virtual Vision, mas têm o inconveniente de serem pagos. São todos leitores. Na linha de ampliadores, existem o Magic e o Zoom Text, também pagos. Já o Open book é um digitalizador de texto.

Em Salvador, Adriana Garcia Rocha, de 39 anos, conhece bem esses programas. Aos 20 anos perdeu a visão e nem por isso parou de estudar. Procurou o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) e deu prosseguimento à sua formação. Hoje é professora de História, com pós em Cultura Afro-Brasileira. “O DOSVOX e o JAWS foram fundamentais para o acompanhamento dos conteúdos em sala de aula. Não sei o que seria da minha vida sem o acesso à informática que tive e tenho a partir desses softwares. Conquistamos mais autonomia e independência com eles.”

Quanto ao uso dos softwares, estes podem ser utilizados em todas as disciplinas do currículo, pois permite ao aluno, poder acompanhar todo o seu avanço e processo ensino-aprendizagem, buscando assim cada vez mais sua autonomia. Permite também a integração e a interação com os demais colegas também, pois com esse recurso tecnológico a distância fica menor entre os estudantes e o professor.

Infelizmente, nem todas as escolas possuem esses softwares, mas podem ser baixados e auxiliar todos os alunos com deficiência visual em todos os níveis.

Política pública


O Ministério da Educação desenvolve, em parceria com os Estados, Municípios e o Distrito Federal, o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais e o Projeto Livro Acessível para alunos com deficiência visual. Essas ações têm como objetivo a promoção da acessibilidade aos alunos da Educação Especial no ensino regular. Dessa forma, o MEC disponibiliza materiais didáticos e pedagógicos, equipamentos, mobiliários e laptops para comporem as Salas de Recursos Multifuncionais com o objetivo de apoiar a organização da oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE), complementar à escolarização nas escolas da rede pública e laptops aos alunos com cegueira matriculados no fim do ensino fundamental, no ensino médio, na EJA e na Educação Profissional, como recurso de acessibilidade ao livro e à leitura. Os laptops destinados aos alunos com cegueira são disponibilizados justamente com o sistema DosVox e se destinam ao uso individual em sala de aula e demais atividades educacionais, podendo ser utilizados em domicílio, mediante assinatura de termo de responsabilidade, conforme critério estabelecido pela direção da escola.

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